Sem a presença do presidente Jair Bolsonaro, o palco principal da COP-26, em Glasgow, recebeu nesta segunda-feira uma representante brasileira: a jovem ativista indígena Txai Suruí, fundadora do Movimento da Juventude Indígena em Rondônia, que defende o povo paiter suruí da Amazônia. Em seu discurso, em inglês, Txai criticou “mentiras vazias e promessas falsas” e, sem citar diretamente o governo brasileiro, disse que os povos indígenas precisam estar nas decisões sobre as mudanças climáticas.  

— Tenho apenas 24 anos, mas meu povo vive na Floresta Amazônica há pelo menos seis mil anos. Meu pai, o grande chefe Almir Suruí, me contou que devemos ouvir as estrelas, a lua, o vento, os animais e as árvores. Hoje, o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo e as nossas plantações não florescem como no passado.

A Terra está falando: ela nos diz que não temos mais tempo — disse ela no discurso, que durou três minutos, como todos os de hoje. — Precisamos de outro caminho, com coragem e mudanças globais. Não em 2030, 2050, mas agora.

Com trajes tradicionais e o rosto pintado, a ativista também citou a morte de Ari Uru-eu-wau-wau, em abril de 2020, e exigiu proteção às lideranças indígenas que são mortas em defesa de suas comunidades.

— Enquanto vocês fecham os olhos para a realidade, o defensor Ari Uru-eu-wau-wau, meu amigo desde criança, foi assassinado por proteger a floresta — lembrou a jovem ativista, que também é estudante de Direito. — Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática. E devemos estar no centro das decisões tomadas aqui. Temos ideias para adiar o fim do mundo. Nos deixem acabar com as mentiras vazias e promessas falsas. 

Fonte: O Globo

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