Araújo, uma das principais guras do chamado ‘núcleo ideológico do bolsonarismo’, vinha recebendo críticas de diversos setores, de deputados e senadores a diplomatas, passando pela cúpula do Congr Nacional. Após protagonizar episódios de falta de diplomacia em meio à pandemia do novo coronavírus e de, n avaliação de parlamentares, atrapalhar a corrida pela aquisição de vacinas, o chanceler se despede d sem o apoio expresso até mesmo de aliados.

A última polêmica criada por Araújo se deu no último domingo 28, quando ele decidiu ir às redes soci atacar a senadora Katia Abreu (PP-TO), gerando uma onda de ofensas a ela por parte da militância dig bolsonarista.

O então chanceler divulgou o conteúdo de uma conversa reservada com a parlamentar durante um al Itamaraty, insinuando que ela teria feito lobby em defesa da China. “Em 4/3 recebi a senadora Kátia Abreu para almoçar no MRE. Conversa cortês. Pouco ou nada falou d vacinas. No nal, à mesa, disse: ‘Ministro, se o senhor zer um gesto em relação ao 5G, será o rei do S Não z gesto algum”, escreveu Araújo. 

Em nota, Abreu armou que “se um Chanceler age dessa forma marginal com a presidente da Comiss Relações Exteriores do Senado da República de seu próprio País, com explícita compulsão belicosa, is prova denitivamente que ele está à margem de qualquer possibilidade de liderar a diplomacia brasile No último sábado 27, a senadora compartilhou nas redes sociais a notícia de que um grupo de mais d diplomatas publicou uma carta em que acusa a política externa do governo Bolsonaro de provocar “g prejuízos para as relações internacionais e à imagem do Brasil”. Os diplomatas defendem ainda a dem de Araújo. A relação entre China e Brasil ao longo da pandemia é marcada pela falta de diplomacia do governo d Bolsonaro. Ernesto Araújo já se referiu em diferentes ocasiões ao novo coronavírus como “comunavír “vírus ideológico”. Além disso, pesa contra ele a postura nada diplomática em relação aos chineses n das discussões sobre o 5G. Pelas redes sociais, senadores se manifestaram em defesa de Katia Abreu. O líder do PDT na casa, W Rocha, escreveu: “Encurralado pela péssima gestão à frente da política externa brasileira, principalme compra de vacinas, Ernesto Araújo tenta se manter no cargo abrindo uma guerra de fake news contra senadores sérios como Katia Abreu”. “Não vamos aceitar mais esse desrespeito contra o Senado Federal e o Congresso Nacional. Táticas d mobilização, com cortinas de fumaça, não funcionarão. Já passou da hora de Ernesto Araújo ser dem Itamaraty”, completou. O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), também se manifestou. Ele lamentou que, “no momen que há um grande esforço para a pacicação e o entendimento, muito que justamente o responsável nossa diplomacia venha a criar mais um contencioso político para as instituições”. “O Brasil e o povo brasileiro não merecem isso”, completou. O próprio presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), tem feito críticas abertas a Araújo. Na ú quinta e na última sexta-feira, armou que a política externa brasileira “precisa ser aprimorada”. O tom gestão Araújo, para Pacheco, é a falta de diplomacia. Arthur Lira, presidente da Câmara, presidente na Câmara, deu na semana passada um recado interpre pelo governo como um sinal de que era urgente a troca no Itamaraty. O líder do Centrão armou que o Congresso tem “remédios amargos, porém fatais” para a crise. Em entrevista a CartaCapital, Celso Amorim, que ocupou o posto de chanceler nos governos do presidente Lula, declarou que o Brasil sob Bolsonaro e Araújo operou “um milagre”: o de se isolar. “O Brasil, que tem dez vizinhos, não tem diálogo com ninguém, nem com os países de direita. Quando Duque, da Colômbia, fez uma reunião sobre cooperação em relação à pandemia, ele convidou o Urugu Chile. Não convidou o Brasil, porque o Brasil é tóxico”, armou o ex-chanceler. Para Amorim, a saída de Araújo, por si só, não resolverá todos os problemas da política externa brasil mas seria simbólica. “Em geral, quando você tira um ministro, está indicando alguma mudança de rum não espero coisas boas, mas pelo menos um pragmatismo nas relações externas ou menos presença uma ideologia enlouquecida”. 

 

Fonte: Carta Capital

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