O economista Antônio Corrêa de Lacerda, professor, doutor e coordenador do curso de Economia da PUC-SP, falou na “live” da Agência Sindical na quarta-feira, 8 de julho, sobre condução da economia durante a pandemia da Covid-19. Para ele, a extensão da crise está ligada à duração da pandemia. “É a maior crise econômica da história mundial”, afirma.

Mas o professor não joga a toalha. Ele recomenda que o enfrentamento leve em conta as boas experiências e recomenda um Estado presente. Ele diz: “O Banco Central dispõe de instrumentos pra que os bancos monopolistas liberem crédito a quem precisa”. Para o economista, a crise retoma com força a questão da reindustrialização, inclusive pra produzir insumos médicos. “O Brasil tem base industrial e capacidade de escala”, observa.

Quanto à saúde pública e combate ao novo Coronavírus, ele afirma: “Primeiro, precisamos ter ministro da Saúde, que entenda do assunto”. Na frente econômica, critica a falta de ações e a descoordenação. 

Trechos principais:

Crise – “Depende do que vai acontecer com a pandemia. No Brasil, a crise política se agravou com o novo Coronavírus. O governo federal se mostra incapaz de dirigir o processo”.

Economia – “Segundo o próprio FMI (Fundo Monetário Internacional), o Brasil terá uma queda de 9,1%. Isso para os trabalhadores é perda, até porque muitas empresas não vão sobreviver”.

Neoliberalismo – “A equipe econômica insiste no Estado mínimo e que o mercado resolve tudo. A grande mídia critica Bolsonaro, mas não sua política econômica. Não há alternativa sem forte ação do Estado”.

R$ 600,00 – “Além do impacto social imenso, existe o econômico. Os R$ 600,00 permitem à pessoa ter o básico. A ação do Estado é imprescindível do ponto de vista sanitário e pra socorrer os desassistidos. O Auxílio Emergencial precisa chegar às pessoas. Situações extraordinárias merecem soluções extraordinárias. Sem isso, a crise se agrava”.

Crédito – “O sistema financeiro se limita à cobrança de tarifas, capitalização de serviços e financiamento do Estado. Não quer correr o risco de emprestar a micro e pequenas empresas. Se o Banco Central não assumir seu papel regulador, o dinheiro não chega ao tomador final”.

Estado – “Não pode abrir mão de cumprir sua função, que é regularizar, fiscalizar e punir”.  

Reindustrialização – “Se tem um país em condições é o Brasil; temos o maior parque industrial da América Latina. Pode-se reverter isso com políticas públicas. Mas é preciso querer”.

Medidas – “É preciso nomear ministro da Saúde da área. Uniformizar ações com prefeitos e governadores. Usar medidas pra minimizar o efeito da recessão. Ou seja: crédito e financiamento, renda às pessoas que não podem exercer atividades, investimento público em saúde, educação, além de pactuar ações entre empresas e trabalhadores pelos empregos”. 

Aulas – “As autoridades sanitárias devem, com base em dados e pesquisas, indicar o momento de quando voltar e de que forma”.  

Fonte: Agência Sindical

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