Cerca de 20% da população brasileira e mundial apresenta alguma condição de saúde que pode aumentar o risco de desenvolver quadro mais grave em eventual infecção por covid-19. É o que aponta um estudo de modelagem populacional que analisou as condições de saúde dos habitantes de 188 países em todo o mundo, por idade e por sexo.

A análise, publicada nesta segunda-feira, na revista Global Health, do grupo The Lancet, foi feita com base em dados de prevalência de doenças no mundo presentes no estudo Carga Global de Doenças, Lesões e Fatores de Risco de 2017, também da Lancet. Os cientistas buscaram informações sobre as doenças consideradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por agências de saúde dos Estados Unidos e do Reino Unido como fatores 

de risco para um quadro grave de covid-19, como as cardiovasculares, renais crônicas, diabete e respiratórias crônicas.

De acordo com o levantamento, há cerca de 1,7 bilhão de pessoas, ou 22% da população global, com pelo menos uma dessas condições subjacentes que as coloca em risco aumentado de covid-19 grave, em caso de infecção. A taxa varia conforme a idade: de menos de 5% para menores de 20 anos a mais de 66% das pessoas com 70 anos ou mais. Entre a população em idade ativa (15 a 64 anos), o trabalho estima que 23% tenham pelo menos uma condição subjacente.

Os pesquisadores calcularam também o risco de hospitalização com base na presença dessas comorbidades. Eles estimaram que 4% da população mundial, ou 349 milhões, demandariam internação hospitalar, em caso de infecção. O quadro, mais uma vez, é pior entre os mais idosos: cerca de 20% para as pessoas com 70 anos ou mais e menos de 1% para aqueles com menos de 20 anos.

O cenário também muda conforme o gênero. Apesar de a prevalência de doenças ser parecida entre os sexos, os autores assumiram que os homens têm duas vezes mais chances de necessitarem de hospitalização se infectados. A taxa foi de 6% para eles e 3% para elas.

Como a incidência de comorbidades está muito relacionada à idade, a parcela da população com risco aumentado foi maior nos países com populações mais velhas. Na Europa, por exemplo, 31% da população se enquadra no grupo de risco de ter uma doença mais grave. Em geral, na América do Norte, 28,3% da população tem esse risco aumentado. Já na América Latina e Caribe, onde a parcela jovem é maior, a proporção é de 21,1%. Para o Brasil, o estudo indica que 20,2% da população está nessas condições. Na África, a proporção é de 16%, mas a alta prevalência de HIV /aids coloca essa população em um risco mais alto. Essa combinação pode ser a mais fatal, alertam os pesquisadores.

Fonte: UOL

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