Os ônibus municipais da capital paulista continuam trafegando lotados, uma semana após a recomendação da prefeitura para que coletivos viajassem apenas com passageiros sentados.

A orientação pretende evitar aglomerações no transporte público e, consequentemente, minimizar o risco de contaminação pela Covid-19.

O secretário Municipal de Transportes, Edson Caram, apresentou nesta sexta-feira (12) pedido de exoneração do cargo, após o prefeito Bruno Covas (PSDB) ameçar demiti-lo caso os ônibus continuassem rodando cheios.

O Agora voltou a região do Grajaú (zona sul) nesta segunda e constatou que a quantidade de veículos com pessoas viajando em pé –muitos superlotados– aumentou em relação à semana passada. Passageiros também relataram que os coletivos estavam mais cheios, quatro dias após a liberação para que shoppings e comércios de rua voltassem a funcionar na cidade.

Falta fiscalização nas ruas, afirma motorista

Um motorista de ônibus afirmou, em condição de anonimato, que os coletivos circulam cheios de passageiros pois não há fiscalização nas ruas e corredores. Segundo ele, somente nos terminais há fiscais.

A falha na fiscalização tambem é apontada pelos passageiros. A psicóloga Camila Santos, 34 anos, conta que o ônibus que utiliza sai do Terminal Grajaú (zona sul de SP) com quase todos os assentos ocupados e sem passageiros em pé. “Mas é só ir para a rua que as pessoas começam a embarcar e [o veículo] começa a encher de gente, inclusive em pé.”

Quando retorna do trabalho, por volta das 16h, Camila diz que os coletivos chegam ao terminal abarrotados de pessoas.

Resposta

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), afirmou ter orientado as empresas de ônibus a realizar viagens, sem exceder a capacidade máxima de passageiros sentados, em decorrência do uso das linhas por trabalhadores de serviços que voltaram a funcionar na cidade. “O objetivo é reduzir a disseminação do vírus”, diz trecho de nota.

A SPTrans (empresa que gerencia o transporte público da capital paulista) afirmou que acionou sua equipe de fiscalização para apurar o desempenho operacional das linhas citadas pela reportagem e fará os ajustes, quando necessários. A fiscalização é realizada por 673 profissionais, afirma a empresa.

Ainda segundo o governo municipal, a frota em funcionamento nesta segunda-feira (15) é de 11.828 carros, representando 92,31% da frota operacional. Os veículos atendem 1.266 linhas para uma demanda de 1,3 milhão de pessoas, segundo registrado na sexta-feira (12).

Segundo a pasta, em reunião realizada na última quarta-feita (10), entre a Secretaria Municipal dos Transportes e rerpresentantes das empresas de ônibus, foi reconhecida a “impossibilidade de retorno de toda a frota às ruas”, por causa do percentual de funcionários afastados por integrar o grupo de risco de contágio da Covid-19.

Fonte: Jornal Agora

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