O ritmo de aplicação da primeira dose da vacina contra a Covid-19 caiu 17% na última semana, mostram dados das secretarias de Saúde coletados pelo consórcio de veículos de imprensa. Em relação à segunda dose do imunizante, a queda foi de 23%.

Do dia 13 até esta quarta (19), foram vacinados com a primeira dose, em média, 453 mil brasileiros por dia. O número é quase 90 mil doses menor que o registrado na semana anterior, pico da vacinação no mês de maio.

Quanto à segunda dose, houve uma redução de cerca de 53 mil aplicações no período comparado. A média era de 179 mil imunizados por dia nesta última semana, contra 231 mil na semana anterior.

Para efeito de comparação, a semana de 25 de março a 1º de abril foi a que registrou maior média diária: 644 mil aplicações por dia da primeira dose (42% mais que agora).

 

Já o período com pico de imunizações com a segunda dose foi de 23 a 29 de abril, com quase 542 mil imunizados por dia, em média (203% mais que nesta última semana).

Entre os estados, o que mais reduziu a aplicação de doses foi o Pará, onde o ritmo de imunizações com a primeira dose caiu 88% no período. Até esta quinta (20), 21,4% dos paraenses adultos haviam recebido a primeira dose, o que equivale a cerca de 1,3 milhão de pessoas.

O Espírito Santo, por sua vez, aumentou a aplicação da primeira dose do imunizante em 91% no período analisado e foi o estado com maior crescimento.

Desde o início da campanha, mais de 860 mil capixabas (21% dos adultos) receberam a primeira dose, e 325 mil a segunda (8%).

Em relação à segunda dose, Santa Catarina reduziu em 79% a média de imunizados e foi o estado com maior queda em relação à semana do dia 12.

Até quarta (19), quando a secretaria de Saúde divulgou o último balanço de vacinação, 691 mil catarinenses estavam com o esquema completo da vacina contra a Covid (cerca de 10% da população).

Já Mato Grosso do Sul mais que dobrou a aplicação de segundas doses, com aumento de 215% no período. É o estado com maior proporção de cidadãos imunizados, com 15% da população adulta protegida com as duas doses.

Em todo o Brasil, mais de 40 milhões de pessoas receberam a primeira dose (cerca de 25% dos maiores de 18 anos), e mais de 20 milhões foram contempladas com a segunda (13%).

Há cerca de 30 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 já repassadas ao Ministério da Saúde e que ainda não foram aplicadas.

A Fiocruz, que processa a vacina da AstraZeneca/Oxford, deve fazer uma nova entrega de 5,3 milhões de unidades nesta sexta-feira (21) e chegar ao total de 40,2 milhões de doses repassadas ao Ministério.

O Instituto Butantan, que fabrica a Coronavac, entregou 47,2 milhões até o momento, e a Pfizer, 2,8 milhões de doses. Embora os repasses tenham atingido 90,2 milhões de doses, foram aplicadas aproximadamente 60 milhões de doses até esta sexta.

Os números mostram que poderíamos ter milhões a mais de pessoas vacinadas com pelo menos uma dose, mas a falta de um fluxo contínuo na entrega das doses gera incertezas nas autoridades locais e a comunicação falha do Ministério da Saúde causa desconfiança na população, que pode deixar de buscar a imunização.

Especialistas em epidemiologia e saúde pública apontam a falta de uma coordenação nacional do governo federal e do Ministério da Saúde como a principal causa da desorganização na campanha.

Cada cidade decide como vai encaminhar a aplicação das doses, e para se prevenirem da escassez dos imunizantes das segundas doses, algumas decidem reservar frascos para o reforço em vez de vacinar novas pessoas, aponta Ethel Maciel, epidemiologista e professora na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

É o caso de Porto Alegre, que ao receber mais de 32 mil doses da vacina da Pfizer no início deste mês decidiu usar metade para a primeira dose e reservar as restantes para a segunda aplicação, com um intervalo de 21 dias entre elas, seguindo a recomendação inicial da Anvisa e da bula da substância.

O Ministério da Saúde, porém, recomenda o intervalo de três meses para que sejam priorizadas as primeiras doses. A mesma estratégia é usada no Reino Unido, buscando levar proteção para o maior número de pessoas em um menor período.

Fonte: Folha de SP

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