Logo que o novo coronavírus surgiu na China em dezembro do ano passado, causando uma misteriosa e potencialmente fatal doença que se pensava ser apenas respiratória, especialistas começaram a investigar a sua letalidade. Uma das primeiras estimativas publicadas, com base em pacientes hospitalizados na cidade chinesa de Wuhan, indicou um risco de morte de 15%, pois seis dos 41 internados no então epicentro da epidemia não haviam resistido às complicações decorrentes da infecção.
Nove meses depois do início na China, mais de 33 milhões de casos em todo o mundo, 1 milhão de mortos e incontáveis estudos científicos, esse índice caiu drasticamente. A letalidade da Covid-19 varia entre 0,5% e 1%, segundo estudos ao redor do mundo, mas essa taxa ainda está em discussão.
Como muitas questões envolvendo a doença e o vírus Sars-CoV-2, essa também é cercada de complexidade.
A começar pelo desafio de obter com acurácia os dois dados essenciais para calcular a taxa de letalidade: o número de pessoas infectadas pelo vírus e o de óbitos decorrentes da Covid-19. Embora seja difícil mensurar qualquer pandemia enquanto ela ainda está em curso, ainda mais quando se trata de uma doença nova, a tarefa de conhecer a real extensão de sua gravidade torna-se mais complicada em razão de certas especificidades do novo coronavírus, como a grande proporção de indivíduos infectados, mas assintomáticos, as variadas manifestações clínicas da doença e as peculiaridades da resposta imune ao Sars-CoV-2.
“Essa epidemia põe à prova tudo o que achávamos que sabíamos sobre imunidade, infecção e curva epidêmica”, afirma o epidemiologista Aluísio Barros, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, um dos líderes da equipe científica do Epicovid19-BR, o mais amplo estudo populacional sobre o novo coronavírus realizado no Brasil, que em sua quarta e mais recente fase estimou uma letalidade da infecção de 0,7% no país.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), há duas medidas para calcular a proporção de indivíduos infectados que apresentarão desfechos fatais. A primeira é a taxa de letalidade de infecções (IFR), que estima a proporção de mortes entre todos os indivíduos infectados. A segunda avalia a proporção de mortes entre os casos confirmados e é conhecida como taxa de letalidade de casos clínicos (CFR).
Fonte: UOL